E Sobre Deseducação?!

Curiosamente, nem é preciso começar pelos jovens. Nem pelos videojogos. Nem pelos telemóveis. Nem pelo TikTok. Nem pela manosfera. Nem pelos nudes. Nem pela inteligência artificial. Mas pela "pré-história" da deseducação mediática: aquilo que os pais e os avós consumiram e continuam a consumir diariamente. 

Ao olhar com atenção para muitos programas de televisão e outros conteúdos mediáticos, sobressai a forma como a agressividade, a humilhação, o insulto, a manipulação e o sofrimento passaram a ser tratados como entretenimento normal. Telenovelas onde quase ninguém resolve os problemas de forma saudável. Reality shows onde o conflito vale mais do que o carácter. Programas que transformam dramas pessoais em espetáculo. Horas de séries centradas em homicídios, violência e crime. Filmes onde a vingança é apresentada como resposta natural. Comentários nas redes sociais em que insultar alguém parece fazer parte da conversa. 

Foi acontecendo tão devagar que quase não demos por isso. Fomos normalizando. 

Não estou a defender censura, nem a dizer que estes conteúdos não têm qualquer valor. Estou apenas a perguntar: que modelos de relacionamento, de comunicação e de resolução de conflitos estamos a absorver, dia após dia?

Se queremos compreender os desafios educativos das novas gerações, talvez seja prudente olhar primeiro para o ambiente cultural que nós próprios construímos e para a forma como nos fomos tornando passivos, coniventes e tolerantes perante a exposição das crianças, dos jovens e de nós próprios à agressividade, à banalização da violência e à difusão de contravalores incompatíveis com uma sociedade verdadeiramente humanista.

Antes de apontarmos o dedo aos jovens, talvez seja útil perguntar: que exemplos lhes damos e com que educação e regulamentação os protegemos? 


nota: texto elaborado com apoio da IA

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