Carta 5 – Hoje

Hoje é um dia em que o meu invólucro se comprime em mim e deixa uma linha sinuosa vertical, em refluxos trémulos, mas de uma definição bem concreta. Hoje é aquele dia da 5ª carta, aquela do desinvestir, dizer que não valeu a pena o sonho, o tempo foi perdido, a comunicação impossibilitada, a vida desperdiçada. O que eu senti foi bonito tantas vezes. Fica o que eu senti. Fica também o que eu imaginei. Fica ainda a solidão, ou restar sozinha comigo, o sentido só meu. Ainda assim fica a direção: pra frente, sempre pra frente, cabeça erguida, dei o meu melhor, mas não foi possível...não tinhas disponibilidade! Eu com pouco não me contento! Tenho pena que não consigas ser mais feliz, fiquei com a ideia que te alienas a valores de “faz de conta”, a materialismos, que te iludes, que te mentes....mas não sou tida nem achada em nada disso. Só não te deixo negar a minha existência! Estou viva, gosto de quem sou, guio-me pela integridade, pela entrega plena, pela sinceridade e acredito no amor e é ele que procuro e tento construir!
Adeus!
Se quiseres podes falar comigo, sairmos, conversarmos, sermos gente afável...telefona quando achares que vale a pena leres os meus olhos e escutar os meus lábios... Espero que encontres o TEU CAMINHO! Um beijo!

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