Deslizamos pela Corniche até ao porto. Tu aprecias o castanho-bronze da paisagem e as sombras nacaradas no solo pérola. Deixámos para trás a poeira a incendiar o céu em congeminação com o sol; os túmulos de profeta projetados nas dunas em revolução. Sorriste quando te olhei de soslaio e suspiraste pela memória do dia que passámos junto às grandes brechas do lago antigo, os charcos celestiais onde vagueiam as núvens e o azul-lilás tinge o verde Rembrant e os tons de zinco a palpitar nos afazeres dos patos; a humidade quente, o marulhar dos aromas misteriosos, os segredos dos insetos, a profundidade do espaço povoada por sons a todas as distâncias até adentro da pele, na zona do afeto. A noite começa a cair. Os revérberes acendem o teu perfil compassadamente. O olhar foca-se no ponto de luz diáfana que dobra o cabo e desliza sagaz no veio de espuma que brilha ao luar. Só depois chega, nostálgico, o som grave do apito, se refugia no carro e desiste de prosseguir. Somos visitados por fragm...