Na Rede - Dom Juanito
Um homem, se não se cuida, não sai incólume desta experiência! A sequência de mulheres, os encontros no café, que já se repete por economia mental, o almoço que se oferece em casa também com lista de menu restrita ao que melhor sabe fazer, o mesmo lugar na mesa para elas, como se fora um festival...dar um tom prático e quotidiano à refeição, sem aparato, resguardar todo o sinal romântico, poupar-se de compromissos e memórias espúrias para o futuro, evitar conversas pormenorizadas que lhes dêem identidade - enfim, não vou repetir! Tudo por poupança e alguma estratégia.
Alcançar rapidamente o objetivo a pouco mais de um palmo de pujança - oxalá venha ela! Avisar a candidata de possíveis ou prováveis adaptações de percurso no enlace íntimo. Tudo configurado: a sequência, o palavreado. No entanto, as primeiras horas serão mais gerais, fala-se de ambições mais sonhadoras, de finalidades, como os utópicos descarados nos governos. Depois é desgarrar o objetivo como eles costumam fazer. Tudo comezinho!
O objetivo é afinal reduzido, mas com muito boa intenção!
E a seguir, logo se verá a reação de cada uma e de cada uma em mim e daí resultará a repetição ou a reciclagem com a próxima na calha!
Se algum grão de areia, ou de ervilha ficar sob os lençóis, não tem importância, dá-se a vez à senhora seguinte. Tudo elegante, com distinção, higiénico, que somos adultos. Ou então cancela-se! Simples, rápido, eficiente!
E dizer que não se percebe bem, mas de vez em quando é necessário uma sessão ou duas na terapeuta. Aparece um vazio, uma desmotivação, um cansaço de viver! Se ao menos nascesse amor paliativo desses encontros! Parece tantas vezes que sim. Mas depois, afinal, não! Não! Tantas vezes. Não!
Estou bem sozinho, mas poderia estar bem melhor acompanhado!
Elas queixam-se muito! Lamechas! Eu sou assim, que querem?! Que mude a seu prazer?! Agora, com esta idade?! Disparate! Ou dá ou não! Ou elas se moldam ou não! Não estou a dizer que tenham de se moldar, atenção! Espera-se que isso decorra naturalmente. É uma questão de procurar e de ter sorte!
Às vezes ocorre-me uma conta de multiplicar: se elas tiverem encontros ao mesmo ritmo que eu, seremos muitos! Mas logo me esqueço do que estava a fazer e foco-me no presente, não sem o vício de verificar a rede de encontros, a rede social, as mensagens por todo o lado. Raramente lhes dou o mail! As redes, chegam, mais o telefone...nunca ficaram a incomodar depois de acabar! Imagino que tenham mais que fazer, mas nunca se sabe e cuidados e caldos de galinha nunca são demais e todos ficámos marcados por filmes como Atração Fatal....
Às vezes sinto-me um patife quando penso no que lhes digo no primeiro encontro, se gostar delas, assim algo como: "seria capaz de fazer o resto do caminho ao teu lado na vida"- é tiro certeiro, desde que acompanhado de espaço nos dias seguintes - quase nenhuma comunicação, ou níveis mínimos dela! Este vai-vem de onda do mar é muito gratificante para mim na sua motivação. Agora, conversas é que são de evitar, intimidades a mais, contar a história de vida, dar a ler os posts, pôr likes - há que moderar se não sugam-nos o sangue! E ainda se desinteressam! Há que manter a tensão e a dúvida!
Estou perfeitamente à vontade com isto - um expert! Outra coisa não seria de esperar ou não tivesse uma carreira de sucesso profissional no pico final para compensar os desaires da vida familiar e da afetiva!
Ver se assento! É uma questão de tentar e de ter sorte! Muita resiliência!